Stana Katic Brasil

O episódio irá ao ar em 23 de abril em Portugal e 29 de abril no Brasil.

Enquanto investiga o lar da última vítima do Assassino no Fentanil, um famoso jogador de futebol americano, Emily obtém uma evidência crucial para identificar o assassino. Mas problemas em casam fazem com que Emily retorne para sua família, onde sua grande rede de mentiras finalmente a alcança - e ameaça danificar seu relacionamento com Flynn. Enquanto isso, o trabalho de Nick com um prisioneiro de um importante caso acaba se tornando mortal.

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Enquanto tinha gente achando que Stana ainda estava na Espanha, a mulher já estava de volta a Los Angeles para participar de mais uma gravação ao vivo do Selected Shorts neste domingo!

Entitulado "Let Us Tell You a Story" ("Permita-nos Contar-lhe uma História"), a edição deste ano do evento trazia artistas lendo contos relacionados ao assunto que mais entendem: sua arte. Stana subiu ao palco do Harold M. Williams Auditorium, no Museu Getty, para ler "The Wisdom of Eve," de Mary Orr, que conta a história de Eve Harrington, uma atriz novata que se insere na vida da estrela da Broadway Margo Crane, e tenta subir na carreira se fazendo valer de mentiras, trapaças e chantagens, destruindo a tudo e a todos que cruzam seu caminho.

O conto de apenas 9 páginas, que foi inicialmente publicado na revista Cosmopolitan de maio de 1946, eventualmente ganhou uma versão teatral estendida, além de ter sido adaptado para o cinema, no filme ganhador do Oscar "A Malvada" ("All About Eve," de 1950), estrelando Bette Davis, e para a Broadway, no musical vencedor do prêmio Tony "Applause" (1970) com Lauren Bacall.

Segundo relatos, Stana leu o conto fazendo sotaque britânico!

Tudo desde o sotaque britânico aos maneirismos dela foram impecavelmente fabulosos. E nem me fale da roupa e cabelo. Quando ela terminou a leitura, ela fez uma reverência o mais Stana o possível.

 
Além de Stana, as atrizes Retta (de "Parks and Recreation") e Jenna Ushkowitz (de "Glee") e o ator Jason Matzoukas (de "Brookly Nine-Nine" e "The Good Place") também se apresentaram.

Confiram na nossa galeria fotos do Selected Shorts, compartilhadas por fãs e pela organização do evento:

Eventos & aparições públicas > 2019 > Selected Shorts: "Let Us Tell You a Story" [24.03]

Crédito da imagem em destaque do post: @phyre_

Ela ficou conhecida como a detetive Kate Beckett da série "Castle," mas a mais recente personagem a que Stana Katic dá vida numa série de televisão é bem diferente. Emily Byrne, a protagonista de "Absentia," também tem um passado ligado às forças policiais americanas, mas a sua história é mais sombria, quase ao jeito dos thrillers nórdicos. A atriz canadense de ascendência servo-croata concorda quando traçamos a comparação com a mítica Lisbeth Salander, a heroína improvável dos livros de Stieg Larson. "Ela tem um pouco disso, sim. Está nesse limite," diz em entrevista ao Delas.pt, durante a passagem por Lisboa para promover a segunda temporada de "Absentia," que estreia no canal AXN Portugal dia 26 de março, às 22h30. Mas a inspiração para esta personagem, que é mais uma anti-heroína na construção de uma nova identidade e de um "novo normal," vai mais atrás, colhendo referências em heroínas e heróis da II Guerra Mundial, de forma a construir personagens reais e críveis, numa história que "é como se fosse um mito, como são as histórias das novelas gráficas, por causa das situações extremas em que as suas personagens são colocadas," refere Stana.

Em Portugal, a atriz fez um esforço para dizer uma ou duas palavras em português. Aprender o mais possível sobre as línguas dos países, enquanto os visita ou passa por eles, é algo que tenta fazer sempre e interpretar personagens numa língua estrangeira é algo que não descarta, assim como a possibilidade de trabalhar ficção europeia e sul-americana. No momento é "‘Absentia," série da qual também é produtora executiva, que concentra as suas atenções. Até porque, adianta, já está trabalhando na terceira temporada.

 
Que desafios vai enfrentar a sua personagem nesta temporada?
Acho que alguns dos maiores desafios que a Emily enfrenta nesta segunda temporada de "Absentia" é a questão da identidade e no caso dela é mesmo uma identidade estilhaçada. Trata-se de uma personagem cuja história pessoal está toda virada do avesso e cujas relações com as pessoas que lhe são mais próximas mudaram completamente. Por isso, acho que o que move esta personagem nesta segunda temporada é tentar encontrar uma nova noção de normal e tentar ela própria assegurar-se de que sabem quem é, para que possa continuar a sua vida, restabelecendo a sua relação com o filho e com as outras pessoas à sua volta.

Tal como a Kate Beckett, da série "Castle," a Emily de "Absentia" também é uma agente policial. Trouxe algumas coisas da sua antiga personagem para esta ou construiu-a do zero?
Sim, a Emily era uma agente do FBI antes de ser capturada. Contudo, esta história não se foca inteiramente nisso. Esta personagem é muito diferente da Kate, de "Castle," é muito mais fora da cartilha, ou pelo menos, comporta-se assim. Sinto que apesar de ela ter sido uma agente do FBI, isso não é necessariamente o que a define. Ela é mais uma renegada, uma rebelde.

Como as heroínas dos livros policiais nórdicos, uma espécie de Lisbeth Salander?
Ela tem um pouco disso, sim. Está nesse limite.

Pode dizer-se que este tipo de personagens são, de certa forma, uma inspiração para esta Emily?
A inspiração primordial para criar a Emily partiu do fato de pegarmos numa personagem que está vivendo uma situação extrema – é um mundo que é tão distante da minha realidade… Vivemos uma existência relativamente segura, nos Estados Unidos, na Europa, etc, por isso, para nós, enquanto grupo de produtores era importante encontrar algo que fosse relacionável e fundamentado de forma a desenvolver esta personagem. Então uma das coisas que fizemos foi olhar para trás, para a História, de forma a encontrar episódios catastróficos, de certa maneira, que fossem familiares para nós, enquanto criadores de histórias. Entre aqueles em que nos concentrámos está a II Guerra Mundial. Estudamos muitas heroínas dessa guerra e também heróis. Foi a isso que nos prendemos para que pudesse fazer sentido, porque, na realidade, para mim, a história de "Absentia" é como se fosse um mito, como são as histórias das novelas gráficas, por causa das situações extremas em que as suas personagens são colocadas. Portanto, foi realmente importante para nós encontrar formas de sustentar as personagens, garantir que a forma como apresentamos as suas emoções, sentimentos e experiências pelas quais estão passando são reais e críveis.

Falando em livros, vi na sua página de Instagram que gosta muito de ler. Os policiais estão entre os seus favoritos ou prefere outros?
Não sei, é uma mistura de tudo, um bocadinho de História, de Ciência, como os do Carl Sagan. "Cosmos" é incrível! Ultimamente, tenho lido o "The Beekeeper's Bible," sobre as abelhas, que é maravilhoso. E depois há ótimas histórias de ficção. É uma mistura, não há um género específico de que goste mais.

Também li que fala diferentes línguas.
Mas não falo português [risos].

De onde vem esse interesse por outras línguas?
Para mim é importante relacionar-me com as pessoas na sua língua, tanto quanto possível, porque viajamos e estamos expostos a outras culturas e maneiras de viver, uma das maneiras de nos ligarmos às pessoas é através da sua língua. Portanto, para mim é natural e gentil, quando viajo para algum canto, tentar aprender o máximo que puder enquanto estiver nesse lugar.

Como atriz, suponho, que quantas mais línguas falar maior serão as possibilidades e as opções de trabalho. Vê isso como uma vantagem, para trabalhar com realizadores europeus ou de fora da indústria norte-americana, por exemplo?
Sim, sim. Adoraria trabalhar com realizadores estrangeiros – estrangeiros, no sentido de trabalharem fora dos Estados Unidos da América e da América do Norte. Acho que há histórias incríveis que estão sendo contadas na ficção europeia e na América do Sul, por exemplo. Portanto, ter a oportunidade de explorar e vivenciar essas histórias seria fabuloso. Neste momento, na série "Absentia" temos três realizadores que não são da América do Norte e é ótimo, porque eles têm formas diferentes de dirigirem as câmaras, de entrar na história. É interessante aprender isso com eles, perceber o ponto de vista deles.

E vê-se representando uma personagem que fale uma língua completamente diferente?
Sim. Gostaria muito, na realidade. Eu tive de falar com sotaque britânico recentemente num filme e estava com receio de sair desse sotaque entre as cenas, portanto mantinha o sotaque durante todo o dia e foi a primeira vez que senti o que passam os atores britânicos na série "Absentia," porque todos têm que ter sotaque americano. E é difícil, é mesmo um desafio. E posso imaginar que levar isso a um outro nível, que é o de falar outra língua por inteiro, acho que seria excitante e realmente interessante de poder explorar, fosse em espanhol ou em português, por exemplo, tal como fazem tantos atores desta parte do mundo quando vão para os Estados Unidos e têm de falar em inglês.

O filme de que fala é o "Liberté: A Call to Spy"?
Sim.

Representa o papel de Vera Atkins, num filme que é realizado, escrito e produzido por mulheres.
Sim!

O que nos pode dizer sobre ele e sobre a sua personagem?
É uma história baseada na II Guerra Mundial, uma história verídica de três mulheres que trabalham contra a invasão nazista da França. A minha personagem é a "rainha" das espiãs, a Vera Atkins, e o Ian Fleming, que escreveu as histórias do James Bond, referia-se a ela nos seus livros, dizendo que no mundo dos verdadeiros espiões, a Vera era a chefe.

Voltando a "Absentia," além de protagonista é uma das produtoras executivas da série. O quão importante é estar envolvida também nesta parte do processo?
"Absentia" tem, de certa forma, uma maneira um pouco vulgar de fazer televisão. A maneira como os que a fazem contam a história funciona como se fosse um filme independente para televisão. Portanto, estamos todos contando histórias como se estivéssemos fazendo um filme. Na primeira temporada, tivemos um realizador para os 10 episódios e filmamos as cenas de acordo com os cenários, o que significava que podíamos filmar, no mesmo dia, o episódio 10, o episódio 7 e o episódio 2, o que é uma maneira incomum de filmar séries de televisão. Estamos fazendo algo que até certo ponto é um pouco experimental. E é realmente maravilhoso fazer parte da equipe criativa e de ver os diálogos antes de estar no set de filmagens. Ser parte da produção executiva foi bom porque pudemos todos colaborar de uma forma que eu acho que é benéfica para o programa, em que o grande objetivo de todos foi contar uma história envolvente, um thriller emocionante. E quando se tem um grupo de pessoas que está empenhado nisso, é divertido. Ainda que discordemos, não faz mal, porque queremos todos atingir o mesmo objetivo, que é contá-la o melhor possível.

Até onde é que sabe antecipadamente o que acontece à sua personagem, uma vez que está envolvida nessa parte criativa da série?
Nesta temporada, fomos falando todos sobre o desenvolvimento da história e já estamos trabalhando naquilo que vai ser a terceira temporada; os roteiristas já estão trabalhando na ideia que servirá de base às personagens. Em relação à segunda temporada, vi todos os 10 episódios, e como estamos trabalhando já no que vai ser a terceira temporada já sei um pouco do que vem aí, sim.

Isso afeta o seu lado de atriz? O fato de saber tudo de antemão limita uma certa espontaneidade na evolução da personagem?
Por um lado, todo mundo tem de saber o roteiro com antecedência, por seguirmos a lógica dos filmes independentes. Portanto, para nós, como atores, é bom saber como são os episódios todos, do 1 ao 10, para os podermos interligá-los. Há coisas que queremos manter "secretas," digamos assim, para que possamos ser surpreendidos pela ação. Mas eu gosto desta maneira de trabalhar, em que basicamente temos o filme todo e a história toda antecipadamente, como no cinema.

Para aqueles que não conhecem, não viram a série, é possível começarem por esta segunda temporada? A história sobrevive autonomamente?
Eu estou entusiasmada com esta segunda temporada porque ela eleva muito o nível. É um thriller psicológico e há sempre muito suspense. Eu acho que é importante ver a primeira temporada para se perceber muitas coisas da segunda, mas o que talvez seja verdadeiramente entusiasmante para o público é que, mesmo não tendo esse prólogo, vão ver que há uma consistência e um arco de ligação comum a todas as personagens e possivelmente isso fará com que vão à procura dos primeiros episódios, caso não o tenham feito.

E quem viu, pode esperar muitas surpresas nesta temporada?
Sim. Acho que há muita coisa que o público não está à espera e que vai acontecer nesta temporada. Há muito mais ação, cada personagem vai debater-se com a sua própria noção de moralidade, umas vezes fazendo ótimas opções, mas muitas outras não. E cada uma dessas escolhas tem impacto em todo o grupo. É claro que seguimos a história da protagonista, a Emily, mas há desenvolvimentos muito interessantes para as outras personagens também.

 

A atriz estreia a segunda temporada de "Absentia" com uma turnê promocional que inclui a Espanha, e nos contou sobre os bastidores deste novo trabalho, que foi filmado na Europa.

Uma década após a estréia da série que a lançou para a fama, Stana Katic retorna com a segunda temporada de "Absentia," a ficção que veio depois de "Castle" e na qual ela interpreta uma mulher tão forte quanto Beckett, mas muito mais complexa. Emily, sua personagem, é uma agente do FBI que ficou desaparecida por 6 anos e que retorna à sua vida para descobrir que tudo mudou. Eles a declararam morta, seu marido se casou novamente e seu filho mal a reconhece. Com o tempo, descobrimos o trauma que ela está escondendo, pois durante os anos em que estave desaparecida, ela havia sido sequestrada por uma louca que a aprisionou em um tanque d'água.

Na segunda temporada da série - que pode ser vista no AXN e na qual Stana participa não só como atriz, mas também como produtora - vai se aprofundar em todos esses anos perdidos e os danos causados ​​a esta mãe que quer voltar a encontrar a normalidade também em suas relações familiares, sem deixar de lado a trama policial que continuará fazendo parte de suas vidas.

 
Como você encara a série sendo produtora executiva? Como isso afeta sua opinião e como você decide como sua personagem evolui?
Como uma das produtoras executivas, eu colaboro com o restante do grupo, Julie Glucksman e Sony. Há muito diálogo com os roteiristas para começar a preparar uma possível terceira temporada, agora que terminamos de editar a segunda, que já vi inteira. Então há muita conversa sobre como podemos tornar isso o mais impactante possível. Estas são algumas das coisas que fazemos como produtores. Além disso, é claro, como os novos personagens são escolhidos também fazia parte do planejamento da segunda temporada.

Quantos anos você gostaria de continuar com esta série?
O que queremos fazer, como narradores, é impactar. Não queremos estender um processo se for desnecessário. Continuaremos enquanto tivermos uma história para contar. Eu me divirto muito, aproveito com meus companheiros. Ainda há muito para explorar e acho que temos que observar o que a história nos diz que precisa.

Como veremos Emily, sua personagem, evoluir em relação à sua família?
No final da primeira temporada, há uma grande bomba de informação que a protagonista recebe, e acredito que no início da segunda Emily lida com questões sobre sua identidade pessoal, sobre o que aconteceu nos anos em que ela ficou presa em um tanque. Ela tenta reconstruir sua vida, com uma noção de si mesma muito desfigurada. A razão pela qual ela faz isso, no final, é por causa do amor que sente por seu filho. Ela quer ter certeza de que pode estar ao seu lado porque quer construir uma relação com ele, então vamos vê-la nesse processo.
Desta vez, ela finalmente consegue ter um apartamento próprio e vamos ver o que isso significa para ela, como ela é - uma pessoa radical e tensa. Não é uma mãe típica. Vamos brincar com isso e cada personagem terá o seu papel. Veremos como é o relacionamento entre Alice e Nick, como ele evolui e o que aconteceu depois do que vimos na temporada passado. Além disso, há explicações sobre como o Jack está conectado ao que aconteceu.

Mas no que diz respeito a Alice, ela faz mudanças em sua vida que beneficiam o relacionamento de Emily com seu filho, certo?
Eu gosto quando duas mulheres reconhecem o que há de bom uma na outra. Emily vê que Alice fez o melhor que pôde para criar seu filho, ela era uma mãe fantástica para Flynn e nãi há nada a ser dito contra isso. É daí que começamos - não é fácil, é complicado, mas o que não é?

Então, Emily não vai ter que enfrentar Alice, ou isso é apenas o começo da temporada?
Começamos daí, e então veremos.

O que Emily te ensinou?
A ser resiliente, forte e, ao mesmo tempo, vulnerável e frágil. Ela é uma personagem interessante porque ela é apenas um anti-herói, como também tem toques de super-herói - ela também é uma mãe, o que a motiva muito. É muito interessante, isso me lembra da música de Meredith Brooks: "Eu sou uma vaca, sou uma amante". Há muitas facetas em sua vida, mas que mulher, que ser humano, não tem? É emocionante fazer experiências com isso, ver como ela se identifica com o pai, o irmão e o filho. Nós também veremos um pouco de sua vida romântica nesta temporada.

De onde você tira energia para filmar por tantos dias e tantas horas seguidas?
De café e macarrão.

Você mesma cozinha?
Não, porque estamos no set de filmagens, no meio da Bulgária... Então não.

O que te impactou mais na segunda temporada?
Vamos ver... Como sou produtora executiva, sei o que vai acontecer de certo modo. [risos] Há muita ação, na metade dela nós viajamos pela a Europa, o que foi muito interessante. Vieram atores de todo o continente para se juntar à trama, e isso foi muito divertido para nós.

Como o estresse pós-traumático afeta a personagem?
No ano passado, vimos Emily de um ponto de vista muito objetivo: ela era o mistério. Mas, desta vez, nos aproximamos: o público está junto a ela, que se sente um mistério para si mesma. Vamos vê-la tentar encaixar todas as facetas de sua identidade e seu passado. E como agora estaremos com ela de uma forma mais próxima, podemos nos concentrar de uma forma muito interessante e pitoresca em seu trauma emocional e estresse pós-traumático. Há muitos movimentos de câmera originais e diferentes, o que foi muito divertido para nós, como produtores. Além disso, foi um desafio, como atriz, procurar a realidade desta personagem.

A segunda temporada começa em um ponto totalmente diferente no final da anterior. Vamos ver como chegou nesse ponto conforme os episódios passam?
Esse personagem não pode retornar a uma normalidade, ela sempre foi um pouco punk-rock, mesmo antes de ser capturado existem momentos que mostram que ela sempre foi um pouco radical. Ela nunca vai colocar um avental e fazer brownies - ela vai querer experimentá-los, mas sempre vai ser algo mais alternativo, por isso até mesmo seu relacionamento com seu filho tem essa nuance. Falei com o ator que interpreta Flynn, perguntei o que ele achava de seu personagem e ele disse: "Eu sou o mini-Batman e você é o Batman." Adorei isso! É algo que ele viu na história e que eu também senti, e é algo em que eles combinam, ambos são do mesmo extremo.

Mãe e filho passaram pela mesma experiência de tortura. Veremos o que eles compartilham disso nos próximos episódios?
É verdade, e há algo a ser dito sobre essa relação entre eles: eles têm um acordo informal em que quando se olham, se entendem, e isso é algo que ninguém mais tem. Eles são uma família.

As mulheres fortes da televisão não precisam mais ser lutadoras, elas podem ser mães, mulheres... Então, o que está faltando? O que você gostaria de adicionar à sua personagem?
Há muitas histórias atualmente, belas e complicadas, nas quais não vemos mais a interpretação dessa mulher "ideal". No caso de Emily, o que me atraiu foi ela ser o anti-herói, ela é ousada, forte, sensual e sexual apesar do fato de que a primeira imagem que você tem dela é como uma mulher alternativa, diferente. Além disso, a questão aqui é que não apenas Emily, mas o mundo em que ela vive também é estranho. É uma história sobre uma família, sobre a relação entre eles através da situação catalisadora pela qual passam. Temos um ex-marido com a esposa, o filho, o pai, o irmão... é o que torna essa história incomum. Nós vemos tudo isso representado e é muito interessante.

Nós vimos que você fala um pouco de espanhol. Você fala fluentemente? Você aprendeu na escola?
Não, eu enrolo algumas palavras. Eu não aprendi na escola, é que há muitas pessoas em Los Angeles, e nos Estados Unidos como um todo, que falam espanhol. Além disso, é uma língua latina, então é familiar para mim por causa da minha experiência com italiano e francês. Eu adoro, é um idioma bonito.

Quantas línguas fala?
Falo servo-croata, inglês, obviamente mal, e também italiano e francês, embora agora bem menos.

Você já esteve na Espanha antes?
Não, esta é minha primeira vez.

E você gostaria de voltar?
Claro, aqui é lindo. Eu adorei ter esse gostinho, mas vou voltar com certeza.

Na primeira temporada o tanque foi o grande desafio da Emily. O que será desta vez?
Voltamos à questão da identidade, da busca pela normalidade. O tanque não desaparece, ele fica ainda mais forte e pior. Como narradores, conseguimos dar um aumento exponencial a ele. Eu tenho medo de falar demais, mas eu vi todos os 10 episódios e adorei. Eu acho que são divertidos, incomuns, há momentos em que você vê o curioso senso de humor dos produtores. Ficamos um pouco surpresos ao assisti-los e acho que o público responderá muito bem.

A veremos tendo um relacionamento?
Sim, isso vai acontecer.

Você faz preparação física para o papel, treina?
Sim, nós treinamos com a equipe que trabalha em "Game of Thrones," porque eu e alguns de meus colegas tínhamos cenas importantes.

E vamos ver sua mãe se envolver na história?
Sim, veremos isso em mais de um episódio, e ela trará informações que causarão uma reviravolta na história.

Você acha que foi mais difícil se preparar física e psicologicamente para esta temporada do que para a anterior?
A primeira era o novo, a novidade, então foi um processo de aprendizado. Então, como atores, era bom nos vermos novamente e saber como as coisas iriam funcionar; essa familiaridade torna tudo mais fácil, embora a trajetória da narrativa seja mais difícil desta vez.

Você faz suas próprias cenas de ação?
Sim, eu tenho um dublê com quem eu treino e isso me ajuda, mas na maioria das cenas sou eu, exceto em quedas. E isso é impossível sem um bom parceiro, então formamos uma ótima equipe. O nome dela é Raina, e acho que ela querer contar essa história da melhor maneira possível, assim como eu, faz minha vida mais feliz, e ela fica muito feliz quando eu consigo fazer algo novo.

Alguma anedota das gravações?
Todo mundo me pergunta o que aconteceu de divertido nas filmagens e eu, embora tenha passado dias rindo no set, acho que não me lembro de nada de concreto. Eu acho que todo mundo é muito esquisito no set, somos muito parecidos, então rimos muito como uma equipe. Mas não consigo pensar em nenhuma história, apesar de que certamente houve várias.

 
Confiram na galeria as fotos da sessão exclusiva para a revista, feitas pelo fotógrafo Bernardo Doral:

Stana Katic: "Fui muito feliz em 'Castle'". A atriz esteve em Lisboa a apresentar a segunda temporada de "Absentia," a série negra que compara às aventuras de Ulisses em "Odisseia".

É capaz de reconhecer Stana Katic ("For Lovers Only") no papel de Kate Beckett, uma detetive da polícia que fez par romântico com Nathan Fillion ("Firefly") em "Castle" — a série da ABC que se manteve em emissão entre 2009 e 2016. Depois de ter sido afastada de forma inesperada do elenco, a atriz lançou-se num novo projeto bem mais sombrio e pesado do que todas as outras produções em que já tinha estado envolvida.

Chama-se "Absentia," onde Stana é produtora executiva e protagonista, e conta a história de Emily Byrne, uma agente do FBI que desaparece durante as investigações a um dos assassinos em série mais violentos de Boston, nos Estados Unidos. O corpo nunca chega a aparecer e Emy é declarada morta, mas a reviravolta na história dá-se quando uma figura anônima telefona à família e avisa que a agente desaparecida está, de fato, viva.

A propósito da estreia da segunda temporada, marcada para a próxima terça-feira, 26 de março, no canal AXN, a MAGG foi conhecer a atriz. Durante a conversa, que decorreu no Ritz Four Seasons Hotel, em Lisboa, a atriz revelou que nunca foi fascinada pelas histórias de serial killers e compara o percurso de Emily ao de Ulisses na "Odisseia" de Homero — na medida em que ambas as personagens têm de passar por vários testes e dilemas até conseguirem regressar a casa.

Quanto à saída inesperada de "Castle," Stana Katic diz-se muito feliz por ter criado uma das personagens mais queridas do público mas promete estar mais focada na sua nova série onde quer fazer "diferente mas sempre melhor".

Quanto desta personagem é baseada em pessoas que conhece ou nas suas experiências?
Grande parte desta personagem resultou de uma acumulação de várias influências. Todos nós [a equipe de produção] começámos a entender a personagem como uma pessoa que estava a passar por situações muito extremas e difíceis.
O principal desafio foi, à medida que idealizávamos todo este contexto, tentar arranjar forma de o espectador se conseguir relacionar ou rever, ainda que parcialmente, no conflito e nos obstáculos por que Emily teria de passar.
Para isso, referimo-nos a alguns momentos trágicos e marcantes da nossa história e que são familiares a todos nós. Fizemos várias referências à Segunda Guerra Mundial, por exemplo, talvez porque é aquele acontecimento com que nos sentimos mais próximos — seja porque os nossos avós viveram o conflito, de forma direta ou indireta, ou porque conhecemos o que aconteceu naquela altura.
No fundo, foi isso que serviu como ponto de partida para começarmos a criar a identidade desta personagem e da história que queríamos contar.

A sua personagem é uma agente do FBI que é dada como morta depois de uma longa investigação a um dos serial killers mais violentos de Boston. Viveu fascinada com histórias de serial killers?
Não, que horror [risos]. Sempre fui uma miúda que gostava de filmes como "A Princesa Prometida"… nada a ver, portanto. Claro que gostava de produções mais arriscadas e independentes, geralmente produzidas na Europa, mas nunca fui muito viciada em thrillers psicológicos que tivessem como base histórias de serial killers.
E nem mesmo o fato de a Emily ter sido uma agente do FBI antes de ter desaparecido é um dos elementos mais importantes da história. Claro que aquilo foi uma parte importante da sua vida, mas a Emily assemelha-se mais a alguém que vive fora da sua cabeça e do seu corpo e que vai analisando com um olhar crítico e analítico tudo o que lhe vai acontecendo.
A Emily é uma renegada, no fundo. No entanto, como tem uma série de habilidades e técnicas especiais, as outras pessoas veem-se obrigadas a trabalhar com ela — porque apesar de tudo, ela é boa naquilo que faz.

A verdade é que "Absentia" é uma série muito mais sombria e pesada do que outros projetos seus. Foi-lhe difícil dar vida a esta personagem?
É sempre desafiante contar uma história que, como esta, tem muita influência nas tragédias e nos mitos grego. É como se estivéssemos a contar a história de Ulisses e todos os testes psicológicos por que tem de passar até poder regressar a casa. De alguma forma, a história de “Absentia” reflete muito esta ideia só que, neste caso, a figura de Ulisses está representada por uma mulher que é a Emily.
É um desafio entusiasmante, principalmente quando nos obriga a trabalhar com outros criativos com o objetivo que contar uma história tão complexa num universo quase parecido ao dos livros de banda desenhada.

Há semelhanças entre Emily e Kate Beckett, que interpretou na série "Castle"?
Acho que ambas as personagens são formidáveis, cada uma à sua maneira. Mas também são muito diferentes. "Castle" era um projeto mais romântico e cómico. Claro que tinha os seus momentos dramáticos, mas nunca chegava a atingir a escala de complexidade de "Absentia" — já que esta série é sobre a dualidade constante entre vida e a morte, que não existia no ambiente criado pelos produtores para "Castle".

Houve algumas produções de crime que a tenham influenciado, já que também é produtora executiva da série?
Alguns thrillers psicológicos marcaram-me muito, porque sempre me senti atraída pela questão de memória e pela procura da nossa identidade. A eterna discussão sobre quem sou e para onde vou sempre foram excelentes fios condutores para uma história e isso tem-se vindo a notar em algumas das séries mais recentes.
Olhámos para filmes como "Sob o Domínio do Mal", mas também nos baseamos muito nos trabalhos de David Fincher [realizador de "Se7en - Os Sete Crimes Capitais" e "Garota Exemplar"] porque ele tem a capacidade de entrar na cabeça das pessoas. Mas houve muitos outros, como "Réquiem Para um Sonho", por exemplo.
Todos eles serviram como inspiração porque, num thriller psicológico, temos sempre de explorar a mente do protagonista — mostrando não só aquilo que está a sentir, mas também a forma como entende o mundo à sua volta. Tem sido uma experiência divertida, nova e diferente.

É-lhe difícil sair da personagem Emily depois das gravações?
É engraçado porque o cabelo dela é muito diferente do meu. Quando se fazem modificações destas no corpo, por muito mínimas que sejam, passa a fazer parte do ator ou da atriz. É muito difícil usar um vestido florido com o cabelo da Emily [risos].
Já cheguei a ter o meu cabelo pintado de loiro platinado e lembro-me que estava a andar pela rua e vi num vidro o reflexo de uma pessoa que tinha um cabelo igual ao meu. Depois é que percebi que ela pessoa era eu.
Isto mostrou-me que, naquela altura, não tinha uma identidade formada que combinasse com aquele look.

Deixou de ser Stana Katic e passou a ser outra pessoa que ninguém reconhecia. Isso é algo que se sente diariamente?
Claro que sim, porque essas mudanças fazem como que as pessoas nos julguem com base numa máscara que não é real. Todas as amizades ou os contactos que fui tendo nestes últimos dois anos não teriam acontecido se eu não estivesse na pele de Emily — porque o aspeto que assumi mudava por completo as conversas que tinha ou a forma como as pessoas me abordavam.

Este novo projeto foi uma forma de se reconciliar depois de ter sido afastada de "Castle"?
Não sei, honestamente. Sei que esta série tem sido espetacular e tem sido um prazer, enquanto produtora executiva, trabalhar com todos os criativos talentosos que me acompanham. Fui muito feliz em "Castle" e estou muito grata pela experiência e por ter tido a oportunidade de criar a personagem Kate Beckett — que continua a ser muito especial para mim e para o público.
Agora estou muito focada em "Absentia" e existe um diálogo ativo entre todos os produtores para que possamos criar uma coisa semelhante a um filme independente. O objetivo é fazer tudo de maneira diferente, mas sempre melhor.
Houve vários atores que, depois de terminadas as gravações da segunda temporada, me disseram que esta tinha sido a experiência mais rica e mais criativa de que alguma vez tinham feito parte. No final do dia, vivo para isto. Para ouvir elogios destes e sentir e estamos todos do mesmo lado e fazemos parte de um grande diálogo necessário para criarmos um produto incrível e cativante.