Stana Katic Brasil

Stana Katic Brasil

Ela ficou conhecida como a detetive Kate Beckett da série "Castle," mas a mais recente personagem a que Stana Katic dá vida numa série de televisão é bem diferente. Emily Byrne, a protagonista de "Absentia," também tem um passado ligado às forças policiais americanas, mas a sua história é mais sombria, quase ao jeito dos thrillers nórdicos. A atriz canadense de ascendência servo-croata concorda quando traçamos a comparação com a mítica Lisbeth Salander, a heroína improvável dos livros de Stieg Larson. "Ela tem um pouco disso, sim. Está nesse limite," diz em entrevista ao Delas.pt, durante a passagem por Lisboa para promover a segunda temporada de "Absentia," que estreia no canal AXN Portugal dia 26 de março, às 22h30. Mas a inspiração para esta personagem, que é mais uma anti-heroína na construção de uma nova identidade e de um "novo normal," vai mais atrás, colhendo referências em heroínas e heróis da II Guerra Mundial, de forma a construir personagens reais e críveis, numa história que "é como se fosse um mito, como são as histórias das novelas gráficas, por causa das situações extremas em que as suas personagens são colocadas," refere Stana.

Em Portugal, a atriz fez um esforço para dizer uma ou duas palavras em português. Aprender o mais possível sobre as línguas dos países, enquanto os visita ou passa por eles, é algo que tenta fazer sempre e interpretar personagens numa língua estrangeira é algo que não descarta, assim como a possibilidade de trabalhar ficção europeia e sul-americana. No momento é "‘Absentia," série da qual também é produtora executiva, que concentra as suas atenções. Até porque, adianta, já está trabalhando na terceira temporada.

 
Que desafios vai enfrentar a sua personagem nesta temporada?
Acho que alguns dos maiores desafios que a Emily enfrenta nesta segunda temporada de "Absentia" é a questão da identidade e no caso dela é mesmo uma identidade estilhaçada. Trata-se de uma personagem cuja história pessoal está toda virada do avesso e cujas relações com as pessoas que lhe são mais próximas mudaram completamente. Por isso, acho que o que move esta personagem nesta segunda temporada é tentar encontrar uma nova noção de normal e tentar ela própria assegurar-se de que sabem quem é, para que possa continuar a sua vida, restabelecendo a sua relação com o filho e com as outras pessoas à sua volta.

Tal como a Kate Beckett, da série "Castle," a Emily de "Absentia" também é uma agente policial. Trouxe algumas coisas da sua antiga personagem para esta ou construiu-a do zero?
Sim, a Emily era uma agente do FBI antes de ser capturada. Contudo, esta história não se foca inteiramente nisso. Esta personagem é muito diferente da Kate, de "Castle," é muito mais fora da cartilha, ou pelo menos, comporta-se assim. Sinto que apesar de ela ter sido uma agente do FBI, isso não é necessariamente o que a define. Ela é mais uma renegada, uma rebelde.

Como as heroínas dos livros policiais nórdicos, uma espécie de Lisbeth Salander?
Ela tem um pouco disso, sim. Está nesse limite.

Pode dizer-se que este tipo de personagens são, de certa forma, uma inspiração para esta Emily?
A inspiração primordial para criar a Emily partiu do fato de pegarmos numa personagem que está vivendo uma situação extrema – é um mundo que é tão distante da minha realidade… Vivemos uma existência relativamente segura, nos Estados Unidos, na Europa, etc, por isso, para nós, enquanto grupo de produtores era importante encontrar algo que fosse relacionável e fundamentado de forma a desenvolver esta personagem. Então uma das coisas que fizemos foi olhar para trás, para a História, de forma a encontrar episódios catastróficos, de certa maneira, que fossem familiares para nós, enquanto criadores de histórias. Entre aqueles em que nos concentrámos está a II Guerra Mundial. Estudamos muitas heroínas dessa guerra e também heróis. Foi a isso que nos prendemos para que pudesse fazer sentido, porque, na realidade, para mim, a história de "Absentia" é como se fosse um mito, como são as histórias das novelas gráficas, por causa das situações extremas em que as suas personagens são colocadas. Portanto, foi realmente importante para nós encontrar formas de sustentar as personagens, garantir que a forma como apresentamos as suas emoções, sentimentos e experiências pelas quais estão passando são reais e críveis.

Falando em livros, vi na sua página de Instagram que gosta muito de ler. Os policiais estão entre os seus favoritos ou prefere outros?
Não sei, é uma mistura de tudo, um bocadinho de História, de Ciência, como os do Carl Sagan. "Cosmos" é incrível! Ultimamente, tenho lido o "The Beekeeper's Bible," sobre as abelhas, que é maravilhoso. E depois há ótimas histórias de ficção. É uma mistura, não há um género específico de que goste mais.

Também li que fala diferentes línguas.
Mas não falo português [risos].

De onde vem esse interesse por outras línguas?
Para mim é importante relacionar-me com as pessoas na sua língua, tanto quanto possível, porque viajamos e estamos expostos a outras culturas e maneiras de viver, uma das maneiras de nos ligarmos às pessoas é através da sua língua. Portanto, para mim é natural e gentil, quando viajo para algum canto, tentar aprender o máximo que puder enquanto estiver nesse lugar.

Como atriz, suponho, que quantas mais línguas falar maior serão as possibilidades e as opções de trabalho. Vê isso como uma vantagem, para trabalhar com realizadores europeus ou de fora da indústria norte-americana, por exemplo?
Sim, sim. Adoraria trabalhar com realizadores estrangeiros – estrangeiros, no sentido de trabalharem fora dos Estados Unidos da América e da América do Norte. Acho que há histórias incríveis que estão sendo contadas na ficção europeia e na América do Sul, por exemplo. Portanto, ter a oportunidade de explorar e vivenciar essas histórias seria fabuloso. Neste momento, na série "Absentia" temos três realizadores que não são da América do Norte e é ótimo, porque eles têm formas diferentes de dirigirem as câmaras, de entrar na história. É interessante aprender isso com eles, perceber o ponto de vista deles.

E vê-se representando uma personagem que fale uma língua completamente diferente?
Sim. Gostaria muito, na realidade. Eu tive de falar com sotaque britânico recentemente num filme e estava com receio de sair desse sotaque entre as cenas, portanto mantinha o sotaque durante todo o dia e foi a primeira vez que senti o que passam os atores britânicos na série "Absentia," porque todos têm que ter sotaque americano. E é difícil, é mesmo um desafio. E posso imaginar que levar isso a um outro nível, que é o de falar outra língua por inteiro, acho que seria excitante e realmente interessante de poder explorar, fosse em espanhol ou em português, por exemplo, tal como fazem tantos atores desta parte do mundo quando vão para os Estados Unidos e têm de falar em inglês.

O filme de que fala é o "Liberté: A Call to Spy"?
Sim.

Representa o papel de Vera Atkins, num filme que é realizado, escrito e produzido por mulheres.
Sim!

O que nos pode dizer sobre ele e sobre a sua personagem?
É uma história baseada na II Guerra Mundial, uma história verídica de três mulheres que trabalham contra a invasão nazista da França. A minha personagem é a "rainha" das espiãs, a Vera Atkins, e o Ian Fleming, que escreveu as histórias do James Bond, referia-se a ela nos seus livros, dizendo que no mundo dos verdadeiros espiões, a Vera era a chefe.

Voltando a "Absentia," além de protagonista é uma das produtoras executivas da série. O quão importante é estar envolvida também nesta parte do processo?
"Absentia" tem, de certa forma, uma maneira um pouco vulgar de fazer televisão. A maneira como os que a fazem contam a história funciona como se fosse um filme independente para televisão. Portanto, estamos todos contando histórias como se estivéssemos fazendo um filme. Na primeira temporada, tivemos um realizador para os 10 episódios e filmamos as cenas de acordo com os cenários, o que significava que podíamos filmar, no mesmo dia, o episódio 10, o episódio 7 e o episódio 2, o que é uma maneira incomum de filmar séries de televisão. Estamos fazendo algo que até certo ponto é um pouco experimental. E é realmente maravilhoso fazer parte da equipe criativa e de ver os diálogos antes de estar no set de filmagens. Ser parte da produção executiva foi bom porque pudemos todos colaborar de uma forma que eu acho que é benéfica para o programa, em que o grande objetivo de todos foi contar uma história envolvente, um thriller emocionante. E quando se tem um grupo de pessoas que está empenhado nisso, é divertido. Ainda que discordemos, não faz mal, porque queremos todos atingir o mesmo objetivo, que é contá-la o melhor possível.

Até onde é que sabe antecipadamente o que acontece à sua personagem, uma vez que está envolvida nessa parte criativa da série?
Nesta temporada, fomos falando todos sobre o desenvolvimento da história e já estamos trabalhando naquilo que vai ser a terceira temporada; os roteiristas já estão trabalhando na ideia que servirá de base às personagens. Em relação à segunda temporada, vi todos os 10 episódios, e como estamos trabalhando já no que vai ser a terceira temporada já sei um pouco do que vem aí, sim.

Isso afeta o seu lado de atriz? O fato de saber tudo de antemão limita uma certa espontaneidade na evolução da personagem?
Por um lado, todo mundo tem de saber o roteiro com antecedência, por seguirmos a lógica dos filmes independentes. Portanto, para nós, como atores, é bom saber como são os episódios todos, do 1 ao 10, para os podermos interligá-los. Há coisas que queremos manter "secretas," digamos assim, para que possamos ser surpreendidos pela ação. Mas eu gosto desta maneira de trabalhar, em que basicamente temos o filme todo e a história toda antecipadamente, como no cinema.

Para aqueles que não conhecem, não viram a série, é possível começarem por esta segunda temporada? A história sobrevive autonomamente?
Eu estou entusiasmada com esta segunda temporada porque ela eleva muito o nível. É um thriller psicológico e há sempre muito suspense. Eu acho que é importante ver a primeira temporada para se perceber muitas coisas da segunda, mas o que talvez seja verdadeiramente entusiasmante para o público é que, mesmo não tendo esse prólogo, vão ver que há uma consistência e um arco de ligação comum a todas as personagens e possivelmente isso fará com que vão à procura dos primeiros episódios, caso não o tenham feito.

E quem viu, pode esperar muitas surpresas nesta temporada?
Sim. Acho que há muita coisa que o público não está à espera e que vai acontecer nesta temporada. Há muito mais ação, cada personagem vai debater-se com a sua própria noção de moralidade, umas vezes fazendo ótimas opções, mas muitas outras não. E cada uma dessas escolhas tem impacto em todo o grupo. É claro que seguimos a história da protagonista, a Emily, mas há desenvolvimentos muito interessantes para as outras personagens também.

 

A atriz estreia a segunda temporada de "Absentia" com uma turnê promocional que inclui a Espanha, e nos contou sobre os bastidores deste novo trabalho, que foi filmado na Europa.

Uma década após a estréia da série que a lançou para a fama, Stana Katic retorna com a segunda temporada de "Absentia," a ficção que veio depois de "Castle" e na qual ela interpreta uma mulher tão forte quanto Beckett, mas muito mais complexa. Emily, sua personagem, é uma agente do FBI que ficou desaparecida por 6 anos e que retorna à sua vida para descobrir que tudo mudou. Eles a declararam morta, seu marido se casou novamente e seu filho mal a reconhece. Com o tempo, descobrimos o trauma que ela está escondendo, pois durante os anos em que estave desaparecida, ela havia sido sequestrada por uma louca que a aprisionou em um tanque d'água.

Na segunda temporada da série - que pode ser vista no AXN e na qual Stana participa não só como atriz, mas também como produtora - vai se aprofundar em todos esses anos perdidos e os danos causados ​​a esta mãe que quer voltar a encontrar a normalidade também em suas relações familiares, sem deixar de lado a trama policial que continuará fazendo parte de suas vidas.

 
Como você encara a série sendo produtora executiva? Como isso afeta sua opinião e como você decide como sua personagem evolui?
Como uma das produtoras executivas, eu colaboro com o restante do grupo, Julie Glucksman e Sony. Há muito diálogo com os roteiristas para começar a preparar uma possível terceira temporada, agora que terminamos de editar a segunda, que já vi inteira. Então há muita conversa sobre como podemos tornar isso o mais impactante possível. Estas são algumas das coisas que fazemos como produtores. Além disso, é claro, como os novos personagens são escolhidos também fazia parte do planejamento da segunda temporada.

Quantos anos você gostaria de continuar com esta série?
O que queremos fazer, como narradores, é impactar. Não queremos estender um processo se for desnecessário. Continuaremos enquanto tivermos uma história para contar. Eu me divirto muito, aproveito com meus companheiros. Ainda há muito para explorar e acho que temos que observar o que a história nos diz que precisa.

Como veremos Emily, sua personagem, evoluir em relação à sua família?
No final da primeira temporada, há uma grande bomba de informação que a protagonista recebe, e acredito que no início da segunda Emily lida com questões sobre sua identidade pessoal, sobre o que aconteceu nos anos em que ela ficou presa em um tanque. Ela tenta reconstruir sua vida, com uma noção de si mesma muito desfigurada. A razão pela qual ela faz isso, no final, é por causa do amor que sente por seu filho. Ela quer ter certeza de que pode estar ao seu lado porque quer construir uma relação com ele, então vamos vê-la nesse processo.
Desta vez, ela finalmente consegue ter um apartamento próprio e vamos ver o que isso significa para ela, como ela é - uma pessoa radical e tensa. Não é uma mãe típica. Vamos brincar com isso e cada personagem terá o seu papel. Veremos como é o relacionamento entre Alice e Nick, como ele evolui e o que aconteceu depois do que vimos na temporada passado. Além disso, há explicações sobre como o Jack está conectado ao que aconteceu.

Mas no que diz respeito a Alice, ela faz mudanças em sua vida que beneficiam o relacionamento de Emily com seu filho, certo?
Eu gosto quando duas mulheres reconhecem o que há de bom uma na outra. Emily vê que Alice fez o melhor que pôde para criar seu filho, ela era uma mãe fantástica para Flynn e nãi há nada a ser dito contra isso. É daí que começamos - não é fácil, é complicado, mas o que não é?

Então, Emily não vai ter que enfrentar Alice, ou isso é apenas o começo da temporada?
Começamos daí, e então veremos.

O que Emily te ensinou?
A ser resiliente, forte e, ao mesmo tempo, vulnerável e frágil. Ela é uma personagem interessante porque ela é apenas um anti-herói, como também tem toques de super-herói - ela também é uma mãe, o que a motiva muito. É muito interessante, isso me lembra da música de Meredith Brooks: "Eu sou uma vaca, sou uma amante". Há muitas facetas em sua vida, mas que mulher, que ser humano, não tem? É emocionante fazer experiências com isso, ver como ela se identifica com o pai, o irmão e o filho. Nós também veremos um pouco de sua vida romântica nesta temporada.

De onde você tira energia para filmar por tantos dias e tantas horas seguidas?
De café e macarrão.

Você mesma cozinha?
Não, porque estamos no set de filmagens, no meio da Bulgária... Então não.

O que te impactou mais na segunda temporada?
Vamos ver... Como sou produtora executiva, sei o que vai acontecer de certo modo. [risos] Há muita ação, na metade dela nós viajamos pela a Europa, o que foi muito interessante. Vieram atores de todo o continente para se juntar à trama, e isso foi muito divertido para nós.

Como o estresse pós-traumático afeta a personagem?
No ano passado, vimos Emily de um ponto de vista muito objetivo: ela era o mistério. Mas, desta vez, nos aproximamos: o público está junto a ela, que se sente um mistério para si mesma. Vamos vê-la tentar encaixar todas as facetas de sua identidade e seu passado. E como agora estaremos com ela de uma forma mais próxima, podemos nos concentrar de uma forma muito interessante e pitoresca em seu trauma emocional e estresse pós-traumático. Há muitos movimentos de câmera originais e diferentes, o que foi muito divertido para nós, como produtores. Além disso, foi um desafio, como atriz, procurar a realidade desta personagem.

A segunda temporada começa em um ponto totalmente diferente no final da anterior. Vamos ver como chegou nesse ponto conforme os episódios passam?
Esse personagem não pode retornar a uma normalidade, ela sempre foi um pouco punk-rock, mesmo antes de ser capturado existem momentos que mostram que ela sempre foi um pouco radical. Ela nunca vai colocar um avental e fazer brownies - ela vai querer experimentá-los, mas sempre vai ser algo mais alternativo, por isso até mesmo seu relacionamento com seu filho tem essa nuance. Falei com o ator que interpreta Flynn, perguntei o que ele achava de seu personagem e ele disse: "Eu sou o mini-Batman e você é o Batman." Adorei isso! É algo que ele viu na história e que eu também senti, e é algo em que eles combinam, ambos são do mesmo extremo.

Mãe e filho passaram pela mesma experiência de tortura. Veremos o que eles compartilham disso nos próximos episódios?
É verdade, e há algo a ser dito sobre essa relação entre eles: eles têm um acordo informal em que quando se olham, se entendem, e isso é algo que ninguém mais tem. Eles são uma família.

As mulheres fortes da televisão não precisam mais ser lutadoras, elas podem ser mães, mulheres... Então, o que está faltando? O que você gostaria de adicionar à sua personagem?
Há muitas histórias atualmente, belas e complicadas, nas quais não vemos mais a interpretação dessa mulher "ideal". No caso de Emily, o que me atraiu foi ela ser o anti-herói, ela é ousada, forte, sensual e sexual apesar do fato de que a primeira imagem que você tem dela é como uma mulher alternativa, diferente. Além disso, a questão aqui é que não apenas Emily, mas o mundo em que ela vive também é estranho. É uma história sobre uma família, sobre a relação entre eles através da situação catalisadora pela qual passam. Temos um ex-marido com a esposa, o filho, o pai, o irmão... é o que torna essa história incomum. Nós vemos tudo isso representado e é muito interessante.

Nós vimos que você fala um pouco de espanhol. Você fala fluentemente? Você aprendeu na escola?
Não, eu enrolo algumas palavras. Eu não aprendi na escola, é que há muitas pessoas em Los Angeles, e nos Estados Unidos como um todo, que falam espanhol. Além disso, é uma língua latina, então é familiar para mim por causa da minha experiência com italiano e francês. Eu adoro, é um idioma bonito.

Quantas línguas fala?
Falo servo-croata, inglês, obviamente mal, e também italiano e francês, embora agora bem menos.

Você já esteve na Espanha antes?
Não, esta é minha primeira vez.

E você gostaria de voltar?
Claro, aqui é lindo. Eu adorei ter esse gostinho, mas vou voltar com certeza.

Na primeira temporada o tanque foi o grande desafio da Emily. O que será desta vez?
Voltamos à questão da identidade, da busca pela normalidade. O tanque não desaparece, ele fica ainda mais forte e pior. Como narradores, conseguimos dar um aumento exponencial a ele. Eu tenho medo de falar demais, mas eu vi todos os 10 episódios e adorei. Eu acho que são divertidos, incomuns, há momentos em que você vê o curioso senso de humor dos produtores. Ficamos um pouco surpresos ao assisti-los e acho que o público responderá muito bem.

A veremos tendo um relacionamento?
Sim, isso vai acontecer.

Você faz preparação física para o papel, treina?
Sim, nós treinamos com a equipe que trabalha em "Game of Thrones," porque eu e alguns de meus colegas tínhamos cenas importantes.

E vamos ver sua mãe se envolver na história?
Sim, veremos isso em mais de um episódio, e ela trará informações que causarão uma reviravolta na história.

Você acha que foi mais difícil se preparar física e psicologicamente para esta temporada do que para a anterior?
A primeira era o novo, a novidade, então foi um processo de aprendizado. Então, como atores, era bom nos vermos novamente e saber como as coisas iriam funcionar; essa familiaridade torna tudo mais fácil, embora a trajetória da narrativa seja mais difícil desta vez.

Você faz suas próprias cenas de ação?
Sim, eu tenho um dublê com quem eu treino e isso me ajuda, mas na maioria das cenas sou eu, exceto em quedas. E isso é impossível sem um bom parceiro, então formamos uma ótima equipe. O nome dela é Raina, e acho que ela querer contar essa história da melhor maneira possível, assim como eu, faz minha vida mais feliz, e ela fica muito feliz quando eu consigo fazer algo novo.

Alguma anedota das gravações?
Todo mundo me pergunta o que aconteceu de divertido nas filmagens e eu, embora tenha passado dias rindo no set, acho que não me lembro de nada de concreto. Eu acho que todo mundo é muito esquisito no set, somos muito parecidos, então rimos muito como uma equipe. Mas não consigo pensar em nenhuma história, apesar de que certamente houve várias.

 
Confiram na galeria as fotos da sessão exclusiva para a revista, feitas pelo fotógrafo Bernardo Doral:

Stana Katic: "Fui muito feliz em 'Castle'". A atriz esteve em Lisboa a apresentar a segunda temporada de "Absentia," a série negra que compara às aventuras de Ulisses em "Odisseia".

É capaz de reconhecer Stana Katic ("For Lovers Only") no papel de Kate Beckett, uma detetive da polícia que fez par romântico com Nathan Fillion ("Firefly") em "Castle" — a série da ABC que se manteve em emissão entre 2009 e 2016. Depois de ter sido afastada de forma inesperada do elenco, a atriz lançou-se num novo projeto bem mais sombrio e pesado do que todas as outras produções em que já tinha estado envolvida.

Chama-se "Absentia," onde Stana é produtora executiva e protagonista, e conta a história de Emily Byrne, uma agente do FBI que desaparece durante as investigações a um dos assassinos em série mais violentos de Boston, nos Estados Unidos. O corpo nunca chega a aparecer e Emy é declarada morta, mas a reviravolta na história dá-se quando uma figura anônima telefona à família e avisa que a agente desaparecida está, de fato, viva.

A propósito da estreia da segunda temporada, marcada para a próxima terça-feira, 26 de março, no canal AXN, a MAGG foi conhecer a atriz. Durante a conversa, que decorreu no Ritz Four Seasons Hotel, em Lisboa, a atriz revelou que nunca foi fascinada pelas histórias de serial killers e compara o percurso de Emily ao de Ulisses na "Odisseia" de Homero — na medida em que ambas as personagens têm de passar por vários testes e dilemas até conseguirem regressar a casa.

Quanto à saída inesperada de "Castle," Stana Katic diz-se muito feliz por ter criado uma das personagens mais queridas do público mas promete estar mais focada na sua nova série onde quer fazer "diferente mas sempre melhor".

Quanto desta personagem é baseada em pessoas que conhece ou nas suas experiências?
Grande parte desta personagem resultou de uma acumulação de várias influências. Todos nós [a equipe de produção] começámos a entender a personagem como uma pessoa que estava a passar por situações muito extremas e difíceis.
O principal desafio foi, à medida que idealizávamos todo este contexto, tentar arranjar forma de o espectador se conseguir relacionar ou rever, ainda que parcialmente, no conflito e nos obstáculos por que Emily teria de passar.
Para isso, referimo-nos a alguns momentos trágicos e marcantes da nossa história e que são familiares a todos nós. Fizemos várias referências à Segunda Guerra Mundial, por exemplo, talvez porque é aquele acontecimento com que nos sentimos mais próximos — seja porque os nossos avós viveram o conflito, de forma direta ou indireta, ou porque conhecemos o que aconteceu naquela altura.
No fundo, foi isso que serviu como ponto de partida para começarmos a criar a identidade desta personagem e da história que queríamos contar.

A sua personagem é uma agente do FBI que é dada como morta depois de uma longa investigação a um dos serial killers mais violentos de Boston. Viveu fascinada com histórias de serial killers?
Não, que horror [risos]. Sempre fui uma miúda que gostava de filmes como "A Princesa Prometida"… nada a ver, portanto. Claro que gostava de produções mais arriscadas e independentes, geralmente produzidas na Europa, mas nunca fui muito viciada em thrillers psicológicos que tivessem como base histórias de serial killers.
E nem mesmo o fato de a Emily ter sido uma agente do FBI antes de ter desaparecido é um dos elementos mais importantes da história. Claro que aquilo foi uma parte importante da sua vida, mas a Emily assemelha-se mais a alguém que vive fora da sua cabeça e do seu corpo e que vai analisando com um olhar crítico e analítico tudo o que lhe vai acontecendo.
A Emily é uma renegada, no fundo. No entanto, como tem uma série de habilidades e técnicas especiais, as outras pessoas veem-se obrigadas a trabalhar com ela — porque apesar de tudo, ela é boa naquilo que faz.

A verdade é que "Absentia" é uma série muito mais sombria e pesada do que outros projetos seus. Foi-lhe difícil dar vida a esta personagem?
É sempre desafiante contar uma história que, como esta, tem muita influência nas tragédias e nos mitos grego. É como se estivéssemos a contar a história de Ulisses e todos os testes psicológicos por que tem de passar até poder regressar a casa. De alguma forma, a história de “Absentia” reflete muito esta ideia só que, neste caso, a figura de Ulisses está representada por uma mulher que é a Emily.
É um desafio entusiasmante, principalmente quando nos obriga a trabalhar com outros criativos com o objetivo que contar uma história tão complexa num universo quase parecido ao dos livros de banda desenhada.

Há semelhanças entre Emily e Kate Beckett, que interpretou na série "Castle"?
Acho que ambas as personagens são formidáveis, cada uma à sua maneira. Mas também são muito diferentes. "Castle" era um projeto mais romântico e cómico. Claro que tinha os seus momentos dramáticos, mas nunca chegava a atingir a escala de complexidade de "Absentia" — já que esta série é sobre a dualidade constante entre vida e a morte, que não existia no ambiente criado pelos produtores para "Castle".

Houve algumas produções de crime que a tenham influenciado, já que também é produtora executiva da série?
Alguns thrillers psicológicos marcaram-me muito, porque sempre me senti atraída pela questão de memória e pela procura da nossa identidade. A eterna discussão sobre quem sou e para onde vou sempre foram excelentes fios condutores para uma história e isso tem-se vindo a notar em algumas das séries mais recentes.
Olhámos para filmes como "Sob o Domínio do Mal", mas também nos baseamos muito nos trabalhos de David Fincher [realizador de "Se7en - Os Sete Crimes Capitais" e "Garota Exemplar"] porque ele tem a capacidade de entrar na cabeça das pessoas. Mas houve muitos outros, como "Réquiem Para um Sonho", por exemplo.
Todos eles serviram como inspiração porque, num thriller psicológico, temos sempre de explorar a mente do protagonista — mostrando não só aquilo que está a sentir, mas também a forma como entende o mundo à sua volta. Tem sido uma experiência divertida, nova e diferente.

É-lhe difícil sair da personagem Emily depois das gravações?
É engraçado porque o cabelo dela é muito diferente do meu. Quando se fazem modificações destas no corpo, por muito mínimas que sejam, passa a fazer parte do ator ou da atriz. É muito difícil usar um vestido florido com o cabelo da Emily [risos].
Já cheguei a ter o meu cabelo pintado de loiro platinado e lembro-me que estava a andar pela rua e vi num vidro o reflexo de uma pessoa que tinha um cabelo igual ao meu. Depois é que percebi que ela pessoa era eu.
Isto mostrou-me que, naquela altura, não tinha uma identidade formada que combinasse com aquele look.

Deixou de ser Stana Katic e passou a ser outra pessoa que ninguém reconhecia. Isso é algo que se sente diariamente?
Claro que sim, porque essas mudanças fazem como que as pessoas nos julguem com base numa máscara que não é real. Todas as amizades ou os contactos que fui tendo nestes últimos dois anos não teriam acontecido se eu não estivesse na pele de Emily — porque o aspeto que assumi mudava por completo as conversas que tinha ou a forma como as pessoas me abordavam.

Este novo projeto foi uma forma de se reconciliar depois de ter sido afastada de "Castle"?
Não sei, honestamente. Sei que esta série tem sido espetacular e tem sido um prazer, enquanto produtora executiva, trabalhar com todos os criativos talentosos que me acompanham. Fui muito feliz em "Castle" e estou muito grata pela experiência e por ter tido a oportunidade de criar a personagem Kate Beckett — que continua a ser muito especial para mim e para o público.
Agora estou muito focada em "Absentia" e existe um diálogo ativo entre todos os produtores para que possamos criar uma coisa semelhante a um filme independente. O objetivo é fazer tudo de maneira diferente, mas sempre melhor.
Houve vários atores que, depois de terminadas as gravações da segunda temporada, me disseram que esta tinha sido a experiência mais rica e mais criativa de que alguma vez tinham feito parte. No final do dia, vivo para isto. Para ouvir elogios destes e sentir e estamos todos do mesmo lado e fazemos parte de um grande diálogo necessário para criarmos um produto incrível e cativante.

A atriz Stana Katic esteve em Portugal para a apresentação e antestreia da 2ª temporada da sua série, Absentia, do AXN. Conhecida também pelo seu papel em Castle, que lhe lançou a carreira para a ribalta, a atriz canadiana sentou-se para uma entrevista connosco, onde partilhou as suas experiências, os desafios do trabalho em Absentia, algumas curiosidades sobre o futuro da série e ainda falou da sua integração na associação EMA. Lê aqui a entrevista completa, traduzida em português.

A 2ª temporada de Absentia estreia dia 26 de março, às 22.20, no AXN.

Séries da TV (SdTV): Obrigado por se disponibilizar para esta entrevista. [Falando de Absentia] Quão longo vai ser o salto temporal entre temporadas?
Stana Katic: Acho que são apenas uns quantos meses, não é muito tempo. No máximo um ano.

SdTV: Como é que é fazer o papel de alguém que passou por tanta dor e tortura?
SK: (Ri-se ironicamente) É fácil! Não é dificuldade nenhuma! Não, claro que é desafiante. Queríamos ter a certeza que ela tinha uma base sólida e real, portanto olhámos para eventos na história que nos ajudassem a manter esta experiência e as reações da personagem adequadas e reais. A personagem está a sofrer de síndrome pós-traumático, do tempo que passou no tanque. No entanto, é uma sobrevivente. Por isso, fazemos referência a momentos e eventos como a Segunda Guerra Mundial, a pessoas que conseguiram sair de eventos como esse, como sobreviventes. Existe muito diálogo entre mim, os realizadores e os escritores.

SdTV: A Stana, ou o elenco, têm algum hábito para relaxar depois de um dia a gravar aquelas cenas mais pesadas e sombrias?
SK: (Ri-se) Deixa-me pensar. Rakia. Sabes o que é? E Grapa? É uma espécie de brandy que eles têm na Bulgária e cada pessoa costuma fazer o seu. Às vezes depois de um dia mais difícil ou uma cena pesada, tomamos juntos alguns shots de Rakia. Isso ajuda.

SdTV: Tem alguma preparação especial para as cenas debaixo de água?
SK: Não, nenhuma em especial. O realizador apenas queria ter a certeza que eu não morria durante nenhuma. Portanto, fomos para uma piscina búlgara e pensámos como é que iríamos filmar. Apenas fazê-lo no dia que for preciso, com sucesso, ser corajosa e ultrapassar.

SdTV: Qual é que foi a cena mais difícil de gravar durante a 1ª temporada? Ou a segunda, se puder dizer!
SK: As cenas mais difíceis normalmente são aquelas onde te começas a rir, acredites ou não. Eu sei que é um thriller, mas às vezes acontecem coisas mesmo engraçadas no set. Um cão que não vai na direção certa, ou às vezes é suposto lamber-te a mão e lambe-te a perna. Coisas do género. Mas as mais difíceis são mesmo quando me estou a rir imenso e tenho que me tentar controlar entre takes. Há uma cena em que a Emily e a Alice se encontram em casa, na 1ª temporada, e lembro-me que não conseguia parar de rir. E do meu lado não faz mal, mas quando estás do lado da outra pessoa [que estás a interpretar], eu quero ser o mais respeitadora possível e abrir espaço para a performance dessa personagem. É horrível quando te ris sem parar.

SdTV: Como é que descreveria a Emily?
SK: A Emily é uma personagem tenaz, com uma garra enorme. Ela é mulher, guerreira, mãe, um ser sexual e um ser vulnerável. Há uma fala que adoro na 2ª temporada, e não vou dizer spoilers nenhuns em termos de história, que acho que faz um bom resumo desta personagem. É algo que a Emily diz a alguém quando está a consolar essa pessoa. Ela diz "não deixes que eles escrevam a tua história por ti." Eu vou só deixar isto. Acho que vai afetar a audiência ao verem a série.

SdTV: Como é que descreveria a 2ª temporada para alguém que viu a primeira e estaria indeciso sobre continuar? Como é que a venderia?
SK: Acho que a 2ª temporada é de outro nível. Subimos a qualidade em muito, sabes? Toda a ação que tivemos na primeira ficou ainda melhor na segunda. As personagens têm arcos de história lindos. Conseguimos explorar a psicologia das personagens e algumas delas tomam más decisões que afetam toda as outras e é muito entusiasmante explorar isso. Já vi os dez episódios todos e mandei um email aos produtores a dizer como estou extremamente orgulhosa de todos estes atores e do seu trabalho. Foi um trabalho lindo dos nossos regulares. Estou com grande expectativa para ver como a audiência irá responder. É engraçado ver como tudo levou a esta temporada.

SdTV: Portanto podemos esperar uma 3ª temporada?
SK: Estamos a discutir isso na sala dos escritores e as diferentes possibilidades para uma 3ª temporada. Por isso, diria que as coisas estão a andar.

SdTV: Disse-me que já viu os dez episódios. É muito diferente quando está a gravar de quando vê o resultado, depois?
SK: É uma perspetiva muito diferente. Temos que nos comprometer a 100 por cento quando representamos e torna-se uma experiência muito pessoal e vulnerável. Depois ver é uma coisa completamente diferente. Como produtora tens que pensar como é que avanças a história. Tens que pensar: Isto leva a história para a frente? Continua a levar o enredo para onde queremos? Precisamos daquele momento? Vai ajudar? Há cenas fantásticas que são cortadas porque não levam a história na direção certa. No fim de contas estamos a contar um thriller e tem uma certa velocidade e ritmo que temos que manter.

SdTV: Há pouco falou da reação da audiência. Sente alguma diferença, uma vez que é um caso raro o facto de a série estrear tanto tempo antes na Europa em relação aos Estados Unidos?
SK: É uma situação muito pouco comum na história da televisão, mas o cenário está a mudar. Qualquer coisa consegue acontecer nesta altura e nós estamos na crista da onda. Desde que começámos a 1ª temporada de Absentia que vimos a mesma coisa a acontecer, tanto vindo da Alemanha, como de França, e só uns meses mais tarde a chegar aos Estados Unidos. Hoje em dia vemos as principais empresas de streaming a comprar conteúdo de fora dos Estados Unidos. Os nossos gostos como espectador não estão baseados lá, mas sim numa troca internacional que cria uma situação maravilhosa.

SdTV: Agora algumas questões sobre si. Faz parte da EMA (Environmental Media Association). Como é que isso começou?
SK: Para mim, como atriz, é importante ter uma plataforma através da qual posso ajudar projetos diferentes. O nosso tempo é limitado e os nossos recursos também, portanto o meu foco é o bem-estar das crianças e do ambiente. Sempre estive ligada ao meio ambiente, quer seja pela minha organização sem fins lucrativos, ou através do suporte de novas tecnologias e programas internacionais. Se conseguir encorajar as pessoas a criarem um mundo melhor, quer seja adquirindo uma tecnologia de que nunca ouviram falar ou espalhando uma ideia, o prazer é todo meu. Há muitas empresas que têm ideias que nunca ninguém ouviu, que conseguem mudar o mundo, mas que não têm uma estrutura de marketing por detrás que seja grande o suficiente. Que conseguem oferecer-nos um modo de beber água limpa, de pisar a terra com os pés descalços ou de comer comida limpa. É um prazer ser a voz destes produtos ou programas. É o mesmo com o bem-estar das crianças, ser capaz de ajudar a melhorar as suas vida não é uma questão, é uma certeza para mim.

SdTV: Tem algum projeto favorito?
SK: Eles são todos fenomenais. Já visitei hospitais pediátricos, fui a orfanatos e criei ligação com as crianças. Já fizemos muito trabalho com projetos ambientais. E não há nada mais inspirador que conhecer as pessoas que trabalham nestes projetos. Uma amiga minha está na Peace Corps na Zâmbia e as histórias que ela conta, as pessoas que conhece… São algumas das pessoas mais inteligentes na Terra e tiram um, dois anos ou metade da sua vida para servirem outras. Há muito que podemos receber desta experiência. É espetacular poder ajudar de qualquer modo que consiga.

SdTV: Sabemos que a Stana sabe falar muitas línguas e fazer inúmeros sotaques. Quais é que sabe e prefere?
SK: (Ri-se) Acabei de fazer um filme com um sotaque britânico e isso foi desafiante. Temos muitos atores britânicos em Absentia, portanto percebi um bocadinho daquilo por que eles passam. Viajei muito. Uma vez aprendi algumas frases e palavras em mongol. Parece klingon. Alguma vez viste Star Trek? Adoro Star Trek. Adoro. E klingon soa como mongol. É uma língua sem conexão a nada. Não tem bases latinas ou germânicas. É a sua própria coisa. Então eles falavam e eu não tinha ideia do que eles diziam. Imagina que íamos a uma mercearia e tu dizias "Sim". Eles dizem desta maneira, тийм ээ. Consegues imaginar como é o resto da língua? (rindo).

Os bastidores são bem mais descontraídos do que a história de "Absentia", um thriller. A NiT entrevistou a protagonista.

Não há assim tantas pessoas que conheçam o nome de Stana Katic, a atriz américo-canadiana de 40 anos. Porém, grande parte deverá reconhecê-la como Kate Beckett, a detetive protagonista da série "Castle," onde contracenou durante vários anos com Nathan Fillion.

"Castle" esteve nomeada para quatro Emmys e teve oito temporadas entre 2009 e 2016. Em Portugal era transmitida no AXN. Foi no mesmo canal que vimos no último ano "Absentia," a mais recente série de Stana Katic, onde a atriz também é produtora executiva.

Uma agente do FBI desaparece enquanto persegue um assassino em série e a sua morte acaba por ser declarada. Ela acorda vários anos depois com amnésia, quer recuperar a sua identidade e provar que não é responsável por vários crimes de que é acusada. Além disso, todas as pessoas que conhecia seguiram em frente.

É esta a premissa de "Absentia", cuja segunda temporada estreia no AXN a 26 de março, pelas 22h30. A NiT entrevistou a atriz em Lisboa, uma semana antes de chegar o novo capítulo desta história, que foi gravado na Bulgária.

Qual foi o maior desafio ao fazer a segunda temporada de "Absentia"?
Estamos a contar um thriller psicológico e, quando o fazes, há elementos de ritmo, a forma como se mantêm as reviravoltas na história cativantes, como conquistas o público de cena a cena, episódio a episódio… Não é fácil quando é a primeira temporada de um thriller e é ainda mais desafiante quando se trata de uma segunda.

E como, além de ser a atriz principal, também é produtora executiva da série, está sempre a pensar nas duas perspetivas?
Os atores são, basicamente, contadores de histórias. E os que eu admiro mesmo pensam numa história como um todo. Trabalhei com alguns que se conseguem distanciar o suficiente do enredo para que saibam como é que aquela personagem serve a história de determinada forma. Ou seja, é sempre importante que os atores consigam olhar para as coisas de ambos os lados. E como produtora executiva houve momentos em que pude falar com os realizadores e contribuir com as minhas ideias. É um processo colaborativo.

Sabemos que é um thriller, pesado e tenso, mas quais foram os momentos mais divertidos das gravações?
Não sei, tenho de pensar nisso. Todos os dias são palermas. Às vezes fazer um thriller é uma comédia nos bastidores. É preciso equilibrar: estás a gritar, a chorar e precisas de escapar disso para poderes dormir à noite. Passámos um bom tempo enquanto equipe, os nossos realizadores são hilariantes.

De que forma?
Há uma cena na segunda temporada em que tenho de quebrar um vidro na cabeça de alguém e toda a gente estava preocupada: "Será que isto vai funcionar?" E o realizador: "É claro que vai funcionar, não vai magoar ninguém." E ele disse que podíamos testar nele. E então juntamo-nos todos e até filmamos o momento com as atrizes a testar na cabeça do realizador se o vidro a partir-se iria funcionar. "Bem, sim, machuca um bocado."

Então como é que gravaram essa cena?
O ator que levou o golpe é muito forte e conseguiu aguentar [risos].

Olhando para a segunda temporada, o que é que os fãs podem esperar? Quais são as maiores diferenças?
É outro nível, com um grande grau de representação, há várias revelações sobre as personagens que vão chocar os fãs — e é um slow burn. Vamos introduzindo ideias e vai ser interessante descobrir em que é que pegam os fãs, os easter eggs que os realizadores deixaram ao longo da série, vamos perceber se eles vão conseguir ligá-los a todos, antes que cheguemos ao fim. Adoro ver as teorias dos fãs e será interessante perceber para onde é que vão pender desta vez. E algumas delas são bastante boas — o público é bem inteligente hoje em dia. É cada vez mais difícil termos a certeza de que estamos a contar uma história desafiante, que vai surpreender as pessoas. Também acho que esta temporada vai ter mais ação e, apesar de a história ser baseada em Boston [nos EUA], vai mudar-se para a Europa, e isso é novo para nós. Adoro o tom europeu que temos, como os antigos edifícios, a fotografia que conseguiu retratar essa parte da história.

Foi filmado na Bulgária, não foi? Porquê na Bulgária?
Não estive envolvida na decisão, mas olhando para trás, percebo o quão valiosa foi. Há elementos na Bulgária que ainda são bastante medievais — e que se ajustam a este thriller psicológico que é bastante obscuro. A nossa história sempre teve a intenção de ser algo mais parecido com uma novela gráfica, tal como, por exemplo, o filme "Seven - Os Sete Crimes Capitais". É passado numa cidade, mas não é realmente aquela cidade. É como se fosse uma versão de novela gráfica daquela cidade. "Absentia" foi feita nessa mesma linha e acho que a Bulgária encaixava bem. As gravações duraram uns quatro meses e meio.

Qual é a maior semelhança entre si e a Emily? E a maior diferença?
Não sei, ouvi dizer que somos parecidas [risos]. Não sei. Sei que a admiro, que tem tenacidade e força, e ela conseguiu ultrapassar algo que é realmente extraordinário. Admiro essa resiliência e por ter conseguido passar aquele trauma. Mas acho que eu seria muito mais cobarde do que ela. Ela passou por aquilo tudo. Eu simplesmente dizia: "Ok, está feito, vamos acabar com isto" [risos].

Apesar de ter nascido no Canadá e de também ter nacionalidade americana, a Stana tem origens croatas e de outros países dos Balcãs. O que recomendaria para alguém que estiver de visita fazer lá?
Os Balcãs têm dos recursos de água mais limpos da Europa. Beber água de uma nascente de montanha que é tão alcalina… Sentes-te como se estivesses a receber todos os minerais que o teu corpo pode precisar para os próximos dias. E não consigo passar pela região de onde vem a minha família sem beber um copo de água da nascente. Além disso, a comida é bastante orgânica — é feita de uma forma natural. É saudável. As pessoas são lindas e simpáticas, embora um pouco tímidas. Há grandes festas em todos os sítios porque há um forte lado boémio nos Balcãs. Como estávamos a gravar na Bulgária, pude passear por todos aqueles países. Nesta temporada aconteceu-me uma coisa mesmo adorável.

O quê?
Adoro o som da gaita de foles. E a minha equipe descobriu isso. Então, quando terminámos a temporada, a equipe de guarda-roupa comprou-me uma gaita de foles. E foi extraordinário: o meu avô costumava tocar gaita de foles. Foi mesmo emocionante, foi um presente tão pessoal. E depois fizemos uma festa de despedida e eles contrataram uma banda de gaita de foles de uma das regiões mais antigas da Bulgária para tocarem para toda a equipe. E identifico-me tanto com aquela música.

E costuma tocar a gaita de foles?
Toco às vezes, mas sou terrível [risos]. Mas também mais ninguém está a ouvir. É bastante intenso mas é só para mim, é uma coisa pessoal e parva que gosto de fazer.

A Stana gravou recentemente um filme, "Liberté: A Call to Spy". De que é que ele trata?
Sim, foi no ano passado, é baseado na história de três mulheres que estavam a trabalhar contra os nazis na Segunda Guerra Mundial. E interpreto uma personagem chamada Vera Atkins que era uma amante de um espião, que estava baseada em Inglaterra. Eles estão a tentar lutar contra os nazis em França. O Ian Fleming, que escreveu os livros do James Bond, conheceu a Vera — e ele dizia que, no mundo dos espiões verdadeiros, a Vera dominava. E acho que ela pode ter inspirado alguns elementos nas histórias do Ian Fleming.

Foi isso que a atraiu mais para a história?
O que me atraiu mais foi que… eu só ouvi falar da Segunda Guerra Mundial pelos meus avós e bisavós, não é? Consigo viajar pela Europa e ver os efeitos residuais da guerra. Foi um tempo de cataclismo na história europeia. Mas as pessoas tiveram momentos de heroísmo, estavam a fazer atos mesmo corajosos, o que é extraordinário. Numa altura em que o risco de as pessoas serem verdadeiras aos seus princípios morais era de vida ou morte, e ainda assim não alterarem a sua forma de agir e pensar, é excecional. E por isso queria fazer parte de uma história que refletisse isso mesmo.

Na segunda-feira (14) Stana Katic participou de uma coletiva de imprensa no Kustendorf Film and Music Festival. Ela respondeu a perguntas dos repórteres, falando sobre sua família, "Castle," "Absentia," sua visita à cidade, entre outros assuntos. 😉

Confiram as mais de 50 70 fotos da aparição da Stana no 4º dia do festival em nossa galeria, e os vídeos a seguir:

Eventos & aparições públicas > 2019 > Kustendorf Film and Music Festival: Day 4 [14.01]

 


Nessa sexta-feira, dia 11, aconteceu a noite de abertura do Kustendorf Film and Music Festival, que está acontecendo na Sérvia e da qual Stana é uma das juradas.

Ela chegou no evento no começo da noite, e falou brevemente com repórteres e posou para os fotógrafos. Você confere as mais de 30 fotos em nossa galeria, e os vídeo legendados a seguir (eles são basicamente da mesma entrevista em outros ângulos, com poucas diferenças de um pro outro):

Eventos & aparições públicas > 2019 > Kustendorf Film and Music Festival [11.01]

 



Stana Katic acredita que há muitas oportunidades empolgantes no gênero de espionagem para atrizes

A ex-estrela de "Castle" Stana Katic, que interpretou uma agente no filme de James Bond "Quantum of Solace," diz que há muitas oportunidades empolgantes em filmes de espionagem para atrizes.

Enquanto o sucessor de Daniel Craig como o espião britânico James Bond não é anunciado, Katic é mais uma pessoa que está empolgada para descobrir que irá substituí-lo.

"A série de filmes é tão enraizada em todos nós devido ao trabalho da família Broccoli (produtores da série). Confio que eles farão o melhor para o próximo filme. Tenho certeza de que serei uma das pessoas na plateia ansiosas para assisti-lo.

"Dito isso, há muitas oportunidades excitantes no gênero de espionagem para atrizes, e esses filmes estão sendo liderados pelas próprias atrizes," disse Katic em entrevista exclusiva ao IANS.

Ela também elogiou a atriz Jessica Chastain, que produziu o thriller de espionagem "355".

"Ela é formidável, e sei que assistirei esse filme também," disse.

O novo drama da II Guerra Mundial de Katic irá provar ainda mais que esse gênero de filmes não é só para homens.

"Nós encerramos esse filme em junho. Agora ele está na fase de edição. Ele conta a história de três mulheres reais que foram espiãs durante a II Guerra Mundial. Ele foca em seus esforços para inverta-se a França dos nazistas," ela contou.

"Nesse filme, interpreto uma espiã britânica. O criador de James Bond disse que no mundo real dos espiões, Vera Atkins era a melhor. Desde que começamos a contar essa história, aprendemos sobre essas mulheres extraordinárias que se destacaram como heroínas épicas da II Guerra Mundial. Passei a admirá-las demais," ela acrescentou.

Katic conquistou seu próprio lugar no gênero de ação. Ela apareceu em séries como "24 Horas," "The Shield," "The Unit" e "Castle". "Absentia" a trouxe de volta ao gênero.

"Venho de uma grande família com vários irmãos. Então, de certa forma, todos aqueles anos brincando de Indiana Jones e X-Men na loja de móveis da nossa família me prepararam para um futuro na ação. É divertido explorar esses tipos de histórias," disse a atriz de "Punhos de Campeão".

Então será que um filme de super-herói está na sua lista de afazeres?

"Eu certamente adoraria interpretar uma super heroína em um filme, mas de muitas maneiras, sinto que a personagem que interpreto agora, Emily Byrne (em 'Absentia') é meio que uma super heroína. Então alguns desses desejos já foram realizados," disse a atriz que deu voz a Talia al Ghul no vídeo game "Batman: Arkham City".

"O mundo que criamos em 'Absentia' é tão extremo e muito exagerado. De certas formas, parece uma história em quadrinhos. É quase como a história de Odisseu, mas nesse caso, ele é mulher. Então por mais que eu adoraria interpretar uma super heroína em um filme, acho que já estou tendo um pouco dessa descarga de adrenalina ao contar a nossa história em 'Absentia'," ela explicou.

"Absentia" é centrada em Emily Byrne, que havia sido dada como morta. A primeira temporada mostrou como a agente do FBI tentou recuperar sua família, identidade e inocência enquanto se via como a principal suspeita em uma série de assassinatos.

Atualmente, Stana está gravando a segunda temporada da série na Bulgária.

"O mundo de 'Absentia' é ampliado ainda mais na segunda temporada. Muitas das perguntas que ficaram em aberto na primeira temporada mandarão Emily e alguns outros personagens mundo afora em busca de respostas. Terminamos nossa história em uma parte do mundo que não tem leis, onde tudo pode acontecer. Então tem sido uma temporada muito empolgante para nós, atores, filmarmos," ela disse.

Durante a entrevista por telefone, ela também falou sobre sua visita a um orfanato na Bulgária.

"Uma parte da equipe e alguns atores descobrimos sobre esse projeto local de lar temporário (Aldeias Infantis SOS). Decidimos fazer uma visita e mostrar o que fazemos nas filmagens. Foi muito maravilhoso.

"O objetivo de todos era dar a essas crianças uma opção do que seria possível para elas fazerem em seus futuros. Apenas mostrar do que se trata uma produção cinematográfica, e todos os elementos que fazem parte, desde maquiagem a cabelo, a dublês e tudo o mais... muito mais do que apenas atuação e uma câmera," ela disse.

Quanto a seus outros projetos, "Cadáver" acabou de ser lançado.

"Eu nunca havia feito um filme de terror. Foi intrigante para mim. Sou uma espectadora muito sensível, então acho esse gênero perturbador de se assistir... o que parece bobo já que eu interpretei um papel em algo assim.

"No final das contas, não sei se jamais ri tanto em um set quanto eu fazendo esse filme. Foi uma experiência incrivelmente satisfatória, o que é um enorme contraste em relação à história do filme. Foi uma experiência e tento para mim," ela disse.