Stana Katic Brasil

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[Gloria] “Em Hollywood, coma peixe e acelga”

[Gloria] “Em Hollywood, coma peixe e acelga”

Tem sido um ano movimentado para Stana Katic, a atriz de 30 anos que nasceu no Canadá, foi criada nos Estados Unidos, mas cujo coração croata pavimentou seu caminho para Hollywood. Os pais de Stana migraram para o Canadá antes dela nascer, tentando conquistar uma vida melhor para a família, que jamais esqueceu suas raízes. Eles passaram para os filhos os conhecimentos sobre seu país de origem e ensinaram o idioma croata. Stana Katic se apaixonou pelo teatro quando criança, e depois de estudar atuação na Goodman School of Drama em Chicago, ela tomou a decisão mais corajosa de sua vida - ela se mudou para Los Angeles, apesar de não conhecer ninguém lá. Nos primeiros quatro anos, só conseguiu fazer pequenas pontas em séries de TV famosas, como "ER," "CSI," "24" e "Heroes," mas há alguns meses, ela conseguiu o papel da detetive da polícia de Nova York na série "Castle," que estreará em 2009.

Porém, o último um ano lembrará de Stana por dois papéis no cinema - o primeiro, no mais recente aventura de James Bond, "007 - Quantum Of Solace," na qual interpretou a espiã canadense Corinne Veneau; o segundo é "The Spirit," que estreou recentemente, onde ela atua ao lado de Gabriel Macht, Scarlett Johansson e Eva Mendes. E isso é só o começo para Stana Katic...

 
Stana, você está fantástica, e você tem o corpo perfeito. Como consegue manter a forma na época das festas de final de ano?
Eu adoro a comida, e seria uma ofensa não me render às delícias culinárias dessa época. Mas eu tento comer poucas quantidades, para não precisar compensar na academia depois.

Como você conseguiu o papel no filme de James Bond?
Fui escalada pelo diretor, Marc Forester. Na verdade, eu li o roteiro, e ele e o roteirista Paul Haggis me perguntaram se eu não gostaria de um papel no filme. Então eles criaram a personagem da espiã canadense. Paul é canadense, então, de certa forma, foi uma homenagem ao Canadá. Para mim, foi uma experiência incrível: trabalhar com Marc Forester, que acho que é um dos melhores no meio, e fazer o filme por algumas semanas em Londres.

Quando criança, você gostava de filmes do James Bond?
É claro! Eles são essenciais quando se cresce em uma família europeia. E como não ser? O mundo de espiões charmosos, carros fantásticos e espionagem é muito sedutor.

Quem, na sua opinião, é o Bond mais sensual?
Todos são excelentes e têm um visual perfeito, mas o melhor ainda foi Sean Connery.

Como foi trabalhar com Daniel Craig?
Daniel tem um charme de garoto incrível, e é muito gracioso. As cenas que fiz com ele foram muito exigentes, então não havia espaço para brincadeiras no set, mas ainda assim, ele de vez em quando conseguia soltar uma piada.

O que te atrai em um homem?
Gosto de homens grandes: olhos grandes, lábios carnudos, corriso largo, alto... Meu homem ideal é um cavalheiro bonito, com um coração grande, de elegância clássica e um pouco cafajeste. Uma mistura de Gregory Peck e George Clooney.

Você tem uma Bond Girl preferida?
Por mais que eu concorde que Ursula Andress foi a Bond Girl mais linda, as que mais me marcaram foram Diana Rigg em "007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade" ("On Her Majesty's Service") e Eva Green em "007 - Casino Royale" ("Casino Royale"). Provavelmente porque elas foram as duas únicas garotas por quem Bond se apaixona.

Qual foi a reação de sua família quando disse a eles que você ganhou o papel na mais antiga franquia cinematográfica?
É claro que eles ficaram muito felizes, mas eles sempre ficam felizes quando faço algum trabalho. Acho que, para eles, o mais importante foi que filmei em Londres, e um dos meus familiares me acompanhou na viagem.

Falando em família, sua raízes estão na Croácia...
Sim, meus pais são da Dalmácia. Meu pai é de Vrlika e minha mãe da região de Sinj.

Você tem irmãos?
Somos muitos, e eles são todos lindos, altos e inteligentes. A maioria deles trabalha com a área médica, e são muito talentosos e generosos, e eles pensaram seriamente em abrir um hospital em algum lugar da Dalmácia.

Você se lembra de sua primeira visita à terra natal de seus pais?
Sim, eu tinha 5 anos da primeira vez que fui ao vilarejo. Naquele verão, em senti a Heidi: fiquei amiga das melhores pessoas do mundo, e brincava o dia todo, até que nossa avó nos chamasse à noite para ir para casa. Então, íamos dormir e no dia seguinte fazíamos tudo de novo. Pensando nessa época, hoje em dia, não tenho como não sorrir. As férias na Dalmácia foram os melhores momentos da minha vida. Nós viajávamos, conhecíamos muitos familiares e experimentávamos a vida no campo.

Qual a melhor memória que você tem dessas viagens?
De sentar com minha mãe na plantação de ameixas de meu avô, com ela penteando meu cabelo e contando sobre sua infância.

Você se sente próxima à cultura da Dalmácia?
Eu amo a Dalmácia, apesar de não poder ir com a frequência que gostaria, fazendo o que faço. Mas meus irmãos vãos a cada alguns meses, e morro de inveja. Mas, por outro lado, sou muito ligada à culinária, e aprendi com minha mãe a fazer vários pratos, como bacalhau e acelga.

Onde você aprendeu a interpretar?
Estudei em uma faculdade de artes em Chicago, a Goodman. É uma escola de atuação tradicional, então passávamos todos os dias em sala, de 8 a 11 horas por dia, aprendendo um pouco de tudo - gestos, exercícios de voz, ioga, estudos de cena, máscaras, história, teatro, literatura, e tudo o mais. Foi uma ótima educação, aprendi muito.

Quando decidiu ir para Los Angeles? Quais eram seus planos, e como a realidade foi diferente deles?
Cheguei a Los Angeles no verão depois que terminei a faculdade. Meus pais me deram um pouco de dinheiro e a bênção deles, e passei quatro dias dirigindo até Los Angeles. Achei que tivesse um acordo fechado com uma agência, mas quando cheguei, vi que não era bem isso.

Ainda assim, você se virou...
Sim, mas não foi da noite para o dia. Vim para Hollywood não atrás de fama, mas pela arte. Enfim, vim para cá sem agente, sem conhecer ninguém e com muito pouco dinheiro. Eu sabia que, se quisesse ficar, eu teria que fazer tudo por conta própria - porque se eu ligasse para meus pais pedindo ajuda, eles mandariam que eu voltasse para casa. Como todos os pais, eles queriam proteger os filhos, e queriam me ver em um emprego calmo, bem remunerado e seguro. Meu pai sempre me disse, "Seja dentista ou advogada!"

Mas você não deu ouvidos...
Não, eu fiquei, e os primeiros meses não foram nada fáceis. Eu dormi em albergues, às vezes no meu carro, só para economizar dinheiro. Depois de um tempo, consegui um emprego - vendi móveis em uma loja de departamentos em Los Angeles - e isso foi bom, pois me permitiu alugar um apartamento. Pouco depois disso, conheci uma agente, com quem ainda trabalho hoje em dia, e comecei a trilhar meu caminho no cinema e na televisão.

Você acredita em destino?
Acredito que todos sejam responsáveis pela própria felicidade. Acredito que tudo é possível. É claro, é preciso se esforçar e ter força de vontade. Tenho certeza de que todo mundo - e falo sério - é capaz de alcançar seus sonhos. Então, se acredito em destino? Não, acredito em sonhos e trabalho sério e árduo.

Há alguns anos, você apareceu em alguns episódio de "ER" com Goran Visnjic. Como foi trabalhar com um ator croata?
Goran é um ator maravilhoso. Não digo só pela aparência, mas ele também é um ator muito talentoso, bom, aberto e, de certa forma, elegante. Foi um prazer e uma honra trabalhar com ele. E, além de mais, ele tem um senso de humor incrível. Ele fazia eu e todos no set rirem o tempo todo.

Você acha que o papel na série "Castle," na qual é uma das protagonistas, é um marco em sua carreira?
É a história de um autor de mistérios, interpretado por Nathan Fillion, que encontra sua musa em uma detetive de Nova York, interpretada por mim. Juntos, solucionamos crimes e com o passar do tempo - apesar de que minha personagem jamais admitiria isso - começamos as nos apaixonar um pelo outro. É um conto clássico de amor e ódio. Se é um marco em minha carreira? Espero que sim. A série é uma grande oportunidade para mim, mas, mais importante do que isso, sou muito grata por interpretar essa personagem. Ela é uma mulher inteligente, complicada e confiante, cuja circunstâncias a levam a trabalhar com um homem por quem lentamente irá se apaixonar.

Se formos agora à sua casa, o que iremos encontrar?
De tudo... Amo ler. Tenho um lindo apartamento em um prédio do começo do século 20. Antigamente, o prédio todo era habitado por uma única família, e acho que eles tiveram dias memoráveis. Tem uma velha sauna e um bar dos anos 30, e iluminação linda à moda antiga. Meu prédio tem muita história. Há fantasmas de celebridades, como Fred Astaire, Jean Harlow, Cary Grant, e assim por diante. Minhas paredes são coloridas e a mobília é uma mistura de antiguidade francesa com Art Déco. Ele é muito confortável. De um lado, tenho a vista do centro de Los Angeles; do outro, vejo as montanhas com o letreiro branco de "Hollywood".

O filme "The Spirit" estreou recentemente. Fale sobre seu papel nele.
É o filme mais recente de Frank Miller, no qual interpreto Morgenstern, que ajuda o Spirit a encontrar o malvado Dr. Octopus. "The Spirit" é baseado nos quadrinhos do mentor de Frank, o finado Will Eisner.

Onde você passará as férias?
Na praia, com a família, relaxando sob o sol.

Qual o melhor presente que você poderia ganhar?
Em um inverno, viajei com um amigo pelo Canadá, e estava muito frio. Paramos em um sinal de trânsito, e vimos um homem tentando se acomodar sobre a ventilação da estação de metrô, para que pudesse dormir aquecido. Meu amigo saiu do carro, tirou seu casaco com forro, cobriu o homem e colocou um maço de notas em seu bolso. O estranho abraça meu amigo e, lacrimejando, disse, "obrigado." O que quer que evoque a grandeza daquele momento, de gratidão e gentileza humana, ou algo assim, seria o melhor presente para mim.